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TMC - Samuel Alvarenga (24/08/2026)

“Faturamento não é sinônimo de empresa saudável”: como as PMEs podem escapar do sufoco financeiro?

Com 9,1 milhões de CNPJs no vermelho e R$ 232 bilhões em dívidas, o Dinheiro TMC analisa como planejamento, controle de custos e tecnologia podem ajudar os pequenos negócios a sobreviver

O cenário para as micro, pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras atingiu marcas alarmantes em 2026. Levando em conta o aumento dos pedidos de recuperação judicial e um indicador recorde de 9,1 milhões de empresas negativadas no país, acumulando R$ 232,9 bilhões em dívidas, a sobrevivência dos negócios tornou-se o tema central do debate econômico. Diante dessa pressão de custos, que afeta a lucratividade de quase metade dos pequenos empreendedores, o programa Dinheiro TMC reuniu especialistas para desmistificar a gestão financeira e apontar soluções práticas para quem precisa manter as contas no verde.


A armadilha do caixa e o peso de ser pequeno

Um dos erros mais comuns entre os micro e pequenos empreendedores é confundir o volume de vendas com a real saúde do negócio. Em entrevista ao programa, Leticia Muzzi, diretora de Pequenas e Médias Empresas da Serasa Experian, alertou para o perigo das vendas a prazo desassociadas do controle rigoroso das contas a pagar.

“Faturamento não é sinônimo de empresa saudável. Não significa que a entrada de dinheiro em caixa seja suficiente para pagar suas dívidas”, destacou Leticia. A especialista reforçou que a falta de separação entre as finanças pessoais e as profissionais agrava a situação: “Se o empreendedor começa a misturar isso, ele não tem clareza efetiva de qual é a margem que ele tem.”

O cenário para as micro, pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras atingiu marcas alarmantes em 2026. Levando em conta o aumento dos pedidos de recuperação judicial e um indicador recorde de 9,1 milhões de empresas negativadas no país, acumulando R$ 232,9 bilhões em dívidas, a sobrevivência dos negócios tornou-se o tema central do debate econômico. Diante dessa pressão de custos, que afeta a lucratividade de quase metade dos pequenos empreendedores, o programa Dinheiro TMC reuniu especialistas para desmistificar a gestão financeira e apontar soluções práticas para quem precisa manter as contas no verde.


Repasse de custos, escolhas e o uso da inteligência artificial

Diante da inflação de insumos, aluguel e tributos, o empreendedor muitas vezes se vê no dilema entre absorver o prejuízo ou repassar o aumento aos clientes. Para Gilberto Braga, a possibilidade de reajustar preços sem perder mercado depende diretamente do valor percebido pelo consumidor.

“Quando você tem um produto que se diferencia, você consegue repassar o aumento da inflação e dos custos. Por outro lado, quando você tem um produto que não é percebido como um produto diferenciado e ele tem muitos concorrentes, essa sintonia não pode ser feita. Se você fizer o repasse por preço, imediatamente o consumidor vai escolher um concorrente mais barato”, explicou o economista.

Na hora de cortar despesas para equilibrar o orçamento, o desespero também pode levar a decisões precipitadas. Segundo Leticia Muzzi, tesourar áreas estratégicas pode acelerar a falência do negócio em vez de salvá-lo.

“O corte errado é aquele que vai te impactar no teu resultado, porque isso vira uma bola de neve. Você corta o seu vendedor e entende que agora vai conseguir fazer tudo, só que o vendedor te trazia resultado diretamente para o seu negócio”, alertou a diretora da Serasa Experian.

Como alternativa ao descontrole, Leticia apontou o papel das novas tecnologias e da inteligência artificial na rotina das PMEs, citando ferramentas como o Serasa Descomplica para prever cenários e organizar entradas e saídas. “A IA consegue te ajudar no dia a dia e dar insights importantes olhando para o seu negócio, para o passado, para o presente e já dando informações do que é melhor fazer no futuro”, completou.


Planejamento e cautela para os próximos passos

Embora o horizonte exija atenção redobrada — especialmente com as mudanças trazidas pela reforma tributária e a manutenção de juros altos —, a mensagem principal deixada pelos especialistas é que a busca por ajuda preventiva e a renegociação de débitos devem ocorrer antes que a dívida se torne impagável.

Para quem já está empreendendo ou planeja abrir um negócio no atual cenário competitivo, a recomendação final de Gilberto Braga resume a postura necessária para atravessar o momento: “Para o pequeno empreendedor que está olhando para os próximos meses e para os próximos anos do seu negócio, é um momento de cautela. Se ele estiver dentro de um mercado competitivo, a hora é de calma e de tranquilidade para sobreviver a esse momento.”