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O Globo - Luciana Casemiro (27/02/2026)

Alta das passagens aéreas surpreende e explica erro nas estimativas para o IPCA-15

A alta das passagens aéreas, de 11,64%, é a responsável pelo erro nas projeções do mercado para a prévia da inflação de fevereiro

A alta das passagens aéreas, de 11,64%, é a responsável pelo erro nas projeções do mercado para a prévia da inflação de fevereiro. A mediana das estimativas era de 0,56%, enquanto o IPCA-15 divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE registrou um avanço de 0,84%. A aceleração da inflação em fevereiro já é mais do que esperada. Isso acontece todo ano por conta dos reajustes das mensalidades escolares, (que também veio ligeiramente acima do esperado) e das passagens de ônibus urbanos que acontecem nessa época, a magnitude é que surpreendeu. Efeito do carnaval, avaliam os economistas. O resultado, no entanto, não muda as projeções para ao ano, a expectativa é de forte desaceleração em março.

- Para março, a situação deve melhorar, porque o IPCA não vai ter mais o impacto das tarifas de ônibus, da gasolina, das mensalidades escolares. Então, o índice vai sofrer um esvaziamento em março, porque essas pressões foram muito concentradas em fevereiro. Isso quer dizer que o índice vai desacelerar bastante. Há uma aceleração repentina da inflação, mas depois ela perde força de novo - ressalta André Braz, coordenador dos Índices de Preços do FGV Ibre.

Embora o resultado isolado da inflação de fevereiro não tenha nenhum efeito sobre a condução da política monetária, o economista Gilberto Braga, professor do Ibmec Rio, acha que reacende a discussão sobre qual será o tamanho do corte.

- É água no chope e isso acirra um pouco a discussão sobre se o corte será de 0,25 ou 0,50 pontos percentuais. Eu continua acreditando numa redução de 0,50 -afirma o professor.

Um dos indicadores de que vem desaceleração da inflação pela frente foi a divulgação do IGP-M, nesta quinta-feira, que recuou 0,73%. Isto porque, 60% do indicador é composto pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), queda de 1,18%, que antecipa movimentos dos preços para o consumidor final.

- O IPCA é um índice da despesa familiar. Ele monitora a variação do custo de vida. Essa parte de tarifas públicas e de serviços, o IPA não traz. O que ele traz é uma expectativa sobre bens duráveis, porque matérias-primas estão lá, e também sobre o preços dos alimentos indicando que não previsão de aumentos fortes pela frente - explica Braz.