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O Dia - (06/04/2019)

Bolsonaro decide que não haverá horário de verão neste ano

Presidente informou decisão em sua conta no Twitter

Oitenta e oito anos depois de ser instituído, na gestão Getúlio Vargas, o Governo Federal anunciou, na tarde de ontem, o fim horário de verão. A notícia foi confirmada pelo porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, após o presidente Jair Bolsonaro publicar no Twitter que “não haverá Horário de Verão na temporada 2019/2020”, devido a estudos técnicos que apontam, entre outras coisas, mudanças de hábitos da população.

De acordo com o porta-voz, o Ministério de Minas e Energia (MME) fez análises técnicas e pesquisas de opinião que apontaram que 53% dos entrevistados são favoráveis ao fim do horário. Ele, no entanto, não informou os dados referentes aos que gostam da mudança ou quem não respondeu à pesquisa.

No momento, o MME prepara um material que será entregue em breve ao presidente. O objetivo é decidir, em caráter definitivo, pela continuidade ou não do horário de verão no país. A princípio, a medida só vale para este ano. Segundo dados do MME, de 2013 a 2016, a economia de energia no período diminuiu 64%, com queda de R$ 405 milhões para R$ 147,5 milhões, respectivamente.

Para o professor em finanças Gilberto Braga, o governo deveria aguardar a poupança gerada pelo horário de verão chegar a zero, para, então, anunciar a decisão autocrática. “Pelo menos trazia benefícios à economia do entretenimento”, alega. 

Ele ainda indica que há duas formas de observar a decisão. A primeira gira em torno do consumo de energia elétrica, cuja lógica de oferta e demanda sofreu alterações por conta da informatização no trabalho. A segunda é a perspectiva do comerciante, que será atingido diretamente pelo fim do horário de verão, sobretudo em cidades como o Rio, que cultua o turismo como uma das principais fontes de receita.

“Antigamente tínhamos picos de luz bem definidos, todos chegavam em casa ao mesmo tempo. Por isso fez se necessário implementar o horário de verão, para que as pessoas utilizassem a luz solar por mais tempo, reduzindo, assim, os gastos excessivos”, explicou Braga.

No entanto, “a medida já vinha sendo questionado há muito tempo”, afirma o geógrafo Thiago Mendes, do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território, da Universidade de Coimbra, em Portugal. “O uso do ar-condicionado em excesso, por exemplo, compensa para baixo a proposta original de economia de energia”, pontua Mendes.


Fim foi cogitado em 2017

Em setembro de 2017, o governo federal chegou a anunciar a intenção de abandonar o horário especial a partir de 2018, mas voltou atrás. A medida, tratada como impopular no meio político, não foi vista com bons olhos no Palácio do Planalto, dada a rejeição recorde de Temer à época.

Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, o horário de verão aumenta em 50% o faturamento dos bares no happy hour, entre 18h e 21h. “Isso afeta aproximadamente 5% do faturamento total do estabelecimento”, disse Solmucci, em entrevista à Veja.

Para Francisco Batista, 55, funcionário do quiosque Atlântica Bar, na praia do Leme, Zona Sul do Rio, a mudança será positiva. “Para quem acorda cedo o horário de verão não ajuda, o Sol demora mais a aparecer”, diz.