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DCI - Paula Salati (28/03/2019)

Investidores do Tesouro migram de prefixados para títulos Selic em 1 ano

De fevereiro de 2018 a igual mês de 2019, participação em papéis com taxas pré-definidas recuou de 35,28% para 32,21%, enquanto a fatia em juros pós-fixados aumentou de 33,55% para 38,42%

Em um ano, os investidores dos títulos da dívida pública interna do País migraram dos papéis com remuneração predefinida para os pós-fixados, cujo ganho segue a trajetória da taxa básica de juros (Selic) – hoje em 6,50% ao ano. 

É o que aponta o relatório da Dívida Pública Federal (DPF), divulgado ontem pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN). Em fevereiro de 2018, a parcela de títulos prefixados na DPF era de 35,28% (R$ 1,219 trilhão), porcentagem que caiu a 32,21% (1,201 trilhão) para igual mês deste ano. Já a participação dos papéis indexados à Selic avançou de 33,55% (R$ 1,155 trilhão), para 38,42% (1,433 trilhão), ou seja, R$ 278 bilhões a mais. 

“Houve uma inversão na composição dos títulos”, destaca o professor de finanças do Ibmec-RJ, Gilberto Braga. Ele pondera que os papéis indexados ao câmbio e a índice de preços também tiveram movimentação na sua participação, mas pouco expressiva perto do que ocorreu com os demais.

A parcela dos títulos indexados a câmbio aumentou de 0,43% (R$ 14,84 bilhões), para 0,46% (R$ 17,18 bilhões), enquanto a participação do índice de preços diminuiu de 30,74% (R$ 1,062 trilhão) para 28,91% (R$ 1,078 trilhão).

Braga lembra que, em fevereiro de 2018, ainda havia uma perspectiva de redução da Selic, o que incentivou o investidor a tentar garantir uma remuneração maior nos papéis prefixados. Os juros estavam a 6,75% naquele momento, mas foram cortados a 6,50% em março do mesmo ano.

Já para 2019, a perspectiva é que a Selic se mantenha em 6,50%. Na avaliação de Braga, essa estabilidade dos juros permite que o investidor se proteja em meio ao atual cenário de incertezas com relação à aprovação da reforma da Previdência Social e aos conflitos políticos entre os poderes Executivo e Legislativo.

É justamente por esses motivos que o coordenador dos cursos da Faculdade Fipecafi, Estevão Garcia, avalia que a preferência por pós-fixados pode continuar crescendo nos próximos meses. “Nesse momento de manutenção dos juros, os papéis indexados à Selic devem proteger o investidor de qualquer imprevisto que ocorrer na nossa economia”, diz o especialista da Fipecafi. 


Diminuição dos prazos 

Caso a reforma das aposentadorias não seja aprovada, Estevão afirma que os investidores devem começar a exigir um juro maior para a remuneração dos títulos, elevando, dessa forma, os custos do governo com a dívida pública. Nesse cenário, o prazo da dívida tende a diminuir. De fevereiro de 2018 a igual mês deste ano, o prazo já saiu de 4,27 anos para 4,13 anos. Somente em relação ao endividamento interno, houve uma redução de 4,14 anos para 4,01 anos. 

O relatório da STN mostrou ainda que o estoque da Dívida Pública Federal (DPF) subiu 1,71% em fevereiro, a R$ 3,873 trilhões. Em janeiro, o estoque estava em R$ 3,808 trilhões.

A correção de juros no estoque do endividamento foi de R$ 29,48 bilhões. Já as emissões de papéis somaram R$ 55,14 bilhões, enquanto os resgates chegaram a R$ 18,64 bilhões, o que resultou em emissão líquida de R$ 36,04 bilhões.

Enquanto a dívida interna subiu 1,69% no mês passado e alcançou R$ 3,731 trilhões. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) ficou 2,24% maior, somando R$ 141,92 bilhões.