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DCI - Paula Salati (26/10/2018)

Conta externa do Brasil apresenta déficit de US$ 7,4 bi até setembro

Déficit externo cresce com importações e incertezas

O avanço das importações e o quadro de incerteza política influenciaram a expansão do déficit neste ano, o qual será mais do que compensado pelo ingresso de Investimento Direto no País (IDP), avaliam especialistas.

Entre janeiro e setembro, as transações correntes do País ficaram negativas em US$ 7,4 bilhões, maior do que o rombo registrado em igual período do ano passado (US$ 2,7 bilhões), mostram dados do Banco Central (BC), divulgados ontem.

Isso ocorreu, principalmente, pela redução do superávit na nossa balança comercial que passou de US$ 51,2 bilhões até setembro do ano passado, para US$ 41 bilhões este ano, diante de uma expansão maior das importações (22%, a US$ 138 bilhões) do que das exportações (9%, para US$ 179 bilhões).

As transações correntes são compostas pela balança comercid (exportações e importações), serviços (contratados por brasileiros no exterior e vice-versa) e rendas (remessas de juros, lucros e dividendos ao exterior).

O professor do Ibmec, Gilberto Braga, comenta que a leve recuperação da economia incentivou as empresas a elevarem as compras externas este ano, mas que choques no comércio internacional também prejudicaram alguns setores exportadores do País.

É o caso da sobretaxa imposta pelos Estados Unidos para as exportações de aço e alumínio no primeiro semestre, as quais acabaram impactando negativamente as vendas do setor no País.

“O que eu vejo também é que o ambiente político pesou na atração do investimento direto. Ele deixou de ser mais expressivo em função das indefinições políticas ao longo do ano”, ressalta Braga, do Ibmec.

Até setembro, o investimento direto ficou estável em relação a igual período de 2017, em US$ 52 bilhões. Por outro lado, os aportes em participação no capital (que vão para o setor produtivo da economia) caíram 17,5%, ao passarem de US$ 40 bilhões em 2017, a US$ 33 bilhões este ano. O BC prevê que o IDP chegue a IJS$ 72 bilhões em 2018, semelhante aos ingressos que ocorreram em 2017 (US$ 70 bilhões).


Projeções

Já as transações correntes devem fechar o ano com déficit de US$ 14,3 bilhões este ano, diz o BC, bem maior do que em 2017 (-US$ 9,8 bilhões). Porém, o coordenador do curso de administração do Instituto Mauá de Tecnologia (IMT), Ricardo Balistiero, avalia que o rombo pode ficar menor, mais próximo de US$ 10 bilhões do que de US$ 14 bilhões, tendo em vista que, até setembro, o déficit é de US$ 7,4 bilhões.

“Para ficar muito maior fo rombo], teria que haver um aumento muito mais forte das importações ou uma remessa muito grande de lucros para o exterior”, afirma Balistiero.

“Acredito que, mesmo com a euforia após as eleições, as importações não se elevem em uma magnitude muito grande. Além disso, mesmo que um candidato considerado anti-mercado ganhe, não seria tempo suficiente para ocorrer uma remessa de lucros tão expressiva para o exterior”, complementa Balistiero.

Apesar do rombo esperado, o Brasil ainda se encontra em uma posição confortável não só em termos de investimento direto, como também pelas reservas internacionais que, hoje, somam US$ 381 bilhões.

Por outro lado, o especialista do IMT alerta que ainda há riscos de ocorrer mais conflitos comerciais por parte do presidente dos EUA, Donald Trump. Além disso, as medidas de redução tributária e a elevação de juros no país norte-americano anunciam a chegada de uma recessão econômica, que tende a respingar por todo o mundo e, inclusive, no País.

Já o Mitsubishi UFJ Financial Group, Inc. (MUFG) avalia que, se confirmado, o déficit em conta corrente de US$ 15,5 bilhões, os investimentos diretos alcançarão US$ 71,1 bilhões. Para a instituição, isso é bom, pois garante solidez ao financiamento da balança de pagamentos. Segundo o banco, a dependência de investimentos de portfólio é ruim, pois estes são mais voláteis, especialmente em tempos de muitas incertezas, como a escalada da guerra comercial, ritmo de crescimento da China e alta dos juros nos EUA.