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Destak - (17/12/2017)

Atraso em reforma pode quebrar ciclo de queda nos juros

Com votação adiada para fevereiro, a reforma da Previdência é considerada essencial para manter a confiança dos investidores na manutenção da melhoria dos indicadores econômicos

Com votação adiada para fevereiro, a reforma da Previdência é considerada essencial para manter a confiança dos investidores na manutenção da melhoria dos indicadores econômicos. Por isso mesmo, um atraso maior pode afugentar investimento e quebrar esse ciclo, apontam economistas que sempre apontaram a estabilidade e segurança jurídica como alguns dos fatores principais fatores a serem recuperados, após a recessão acumulada de 7,2% em 2015 e 2016.

"Os investimentos internacionais se baseiam muito nas agências de rating [como Fitch, Moody's e Standard & Poor's], que tendem a rebaixar as avaliações do Brasil, caso a reforma não passe em fevereiro", adverte o economista Alexandre Espírito Santo, da consultoria de investimentos Órama.

A votação da reforma deve entrar nesta semana na pauta da Câmara, mas com previsão de ser votada somente em 19 de fevereiro, segundo o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da casa legislativa.

"Depois, ainda vai para o Senado, tem novas discussões e, quanto mais demorar, mais risco de rebaixamentos, que afugentam investidores. A saída de investimentos leva o dólar a subir, pressionando a inflação e, possivelmente, forçando o Copom a voltar a subir os juros", analisa Espírito Santo.

A taxa Selic caiu para menos da metade, desde outubro de 2016, quando estava em 14,25%. Em caso de continuidade do ciclo positivo, analistas creem que os juros básicos desçam abaixo dos atuais 7%, como o economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, que aposta em 6,75% em 2018.

Outra válvula de escape perigosa é o aumento de impostos, uma vez que o governo já espera perder uma economia de R$ 5 bilhões com o adiamento. A cifra corresponde ao gasto com um ano de aposentadorias que deixam de ser incluídas nas novas regras, pois, se aprovada em 2018, a reforma só passa a valer a partir de 2019.

"Se acontecer isso, o governo escolhe quem vai pagar a conta. Seja por aumento de impostos, seja por corte em investimentos que podem ser de interesse da sociedade e afetar as camadas mais pobres e, por isso, mais dependentes da educação e da saúde pública", aposta Gilberto Braga, professor de finanças do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais).

"Sem reformar a Previdência, calculamos que, em 2021, não sobrar mais dinheiro nenhum para investimentos no Orçamento da União, só para custeio", aponta.